Landescapes and Foliage

 

 

… de maneira que a arte que queira representar bem a realidade terá de a dar através duma representação simultânea da paisagem interior e da paisagem exterior. Resulta que terá de tentar dar uma intersecção de duas paisagens.1   

 

Na relação estética do homem com a natureza, a experiência da diferença parece ser ultrapassada, pois natureza e homem parecem estar em harmonia.2 

 

Aqui a obra não contem unicamente uma reprodução do belo na natureza, mas, age em relação harmónica e solitária entre o homem e essa mesma natureza.

 

Quase que, como nas paisagens solitárias, invernosas e difusas pela neblina que Caspar Friedrich nos apresenta, aqui também se entende que a beleza não pode apenas representar a chave para as imagens vistas pelo lado espiritual, mas através do sublime kantiano, teremos de percorrer aqueles caminhos solitários, onde a luminosidade nos espreita e onde um outro percurso imaginário nos aguarda.

 

A vertente ficcional e a ideia da representação da paisagem, é como que um recurso que acompanha a intenção de prolongar o imaginado no sentido de uma criação e a natureza distingue-se da paisagem por existir por si mesma, sem necessidade do homem, enquanto a paisagem se baseia num relance da natureza, ou, por outras palavras, resulta do encontro da subjetividade humana com a natureza.3

A verdade é que a paisagem depende de uma visão individual e essa imagem de um certo lugar, não é a verdade por si só, mas a sua verdade, pois a perceção de paisagem baseia-se na capacidade de um olhar. Um olhar detido no pormenor, na pequena folha, na sua sombra, no seu recorte e subtileza.

Em Landscapes and Foliage perdemo-nos em pensamentos imaginários e encontramo-nos envoltos em caminhos que nos levam pelas paisagens das profundezas das nossas almas.

Hilda Frias 2020

 

1 Pessoa, Fernando, Alma e Realidade, Duas Paisagens Sobrepostas, Cancioneiro.

2 Seeberg, Ulrich, Dimensões filosóficas na obra de Caspar David Friedrich, ARS, vol.3 no.5, São Paulo, 2005.

3 Monteiro, Luís Ricardo Nunes da Costa, Reinventar a Paisagem na Era Digital, Tese de Doutoramento, Universidade Católica Portuguesa, Porto, 2016.